segunda-feira, 29 de setembro de 2008

quero ser Kazuo Ono


Eu estava deitado na minha cama ontem à noite olhando
para um teto cheio de estrelas
Quando de repente descobri
que tenho que fazer você saber como me sinto.
Nós vivemos juntos em uma fotografia do momento
Eu olho em seus olhos
E os mares abertos para mim
Eu digo que amo você
E que sempre amarei
E eu sei que você não pode me dizer
Eu sei que você não pode.

Então, me resta coletar
As dicas, os pequenos símbolos de sua devoção.

E eu sinto seus punhos
E eu sei que é por amor
E eu sinto o seu chicote
E eu sei que é por amor
E eu sinto olhos e furos que queimam
direto através do meu coração
É por amor
É por amor

Então eu aceito e recolho no meu corpo
As memórias de sua devoção.

Dá-me um pouco mais de amor sério
Dá-me um pouco de amor pleno
Esteja cheio de amor

Punhos, punhos, punhos cheios de amor ...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

melodia de sonho esquecido

sonhei que estava numa praça com umas pessoas decidindo onde tomar um café. queria um lugar que tivesse café e um bolo gostoso para comer junto.
aí você passava, dirigia um carro de bombeiro e dava duas voltas em redor da praça, o carro tinha uma caixa de som
que tocava uma música triste de algo que tinha acabado.
as pessoas choravam ao ouvir a música.
eu chorava, e caminhavamos em direção ao carro.
em cima junto de você um homem loiro chorava muito
tentando cantar junto num microfone, em quanto você servia cachorro quente pras pessoas que subiam.
eu tentava cantar mas não conseguia porque me comovia aquele homem que chorava tanto como se o algo que acabou, fosse alguém que tivesse acabado, ou se acabado.
tinha outras coias no sonho, mas não me lembro quase nada além disso.
os rostos das pessoas são vagos na minha lembrança, só o seu é nítido.
tinha a cara de quem faz algo com certeza do que faz, como nas vezes que te vejo em cena e você não hesita. no sonho você estava inteira em cima daquele carro.

sábado, 20 de setembro de 2008

um dia ainda fujo com o holiday on ice


era minha fantasia de infância.
a minha versão pro famoso fugir com o circo.
hoje em dia quando esse pensamento volta eu vou pra lapa.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

blue note (anotações de um diario triste)

monsieur CHOPIN Piano Sonata 2 oP.35 MOV 3 (NOVAES)







uma nota solitária entre duas pausas, uma nota que prepara. no meio da morte, entre uma morte e a outra.
meu nascimento foi uma morte. minha vida é essa nota e minha morte é o prelúdio que abre nada.
a nota que prepara e não resolve. uma vida inútil. Pra que serve a música? Não se luta com um violino na mão. essa nota sou eu. A mais fraca de todas. a que mal acaba de nascer e já morre. que surge no meio de duas mortes.

Como suportar um dia de esquizofrenia

Para ler ao som de Bach/Silotti transcriçao para piano







Acordo na solidão de quem lembra que sonhou que umas pessoas estiveram em casa e a solidão vota a ser plasma. Saio .Daí procuro me dar ao mundo talvez um braço ou talvez a vesícula bilear, verde – esperança – distribuo meus órgãos internos. Volto. Chego quase oco em casa e dou feliz ano novo ao vizinho em pleno dia cinco e digo que ele aparenta estar melhor e ele diz ser só a aparência . sou obrigado a concordar, falo de mim mim mim e no final decido jogar um rim , por cima do muro. (quase rimou) sei que digo que uma hora tenho de começar a faxina e chego na cozinha onde lembro ter deixado, como numa outra premonição atrasada. Sento. Ouço um órgão de registro aberto. Entro , e o registro se fecha.... lembro que deixei um gordo tocando algo quando saí. Quando entro ele toca Bach e o vento que sai dos tubos do órgao me lançam ao céu e numa harmonia polifônica de alguma forma me põe frente a frente com Deus. Ele então sorri e percebo que é um homem que toca um piano de armário numa sala de teatro vazia num bairro do subúrbio. Tem cabelos ondulados onde me escondo. Toca algo de Bach que me revela o divino no homem. Sorrio para ele e me sento no lugar mais privilegiado da sala e fico feliz porque amo e sou amado. Aos poucos percebo que não estou só . Existe uma platéia de morcegos pendurada no teto. Teno ignorá-los... se agitariam e aplaudiriam Liszt. Obrigado Bach! Sei que de alguma forma aquele órgão supriu a ausência dos órgãos distribuídos pelas ruas sujas e alguns arrancados até.

algo melhor do que se apaixonar?









fazer um novo amigo de infância. melhor...
são luiz ta saindo melhor do que santo antônio.
ps. ESSA FOTO É MINHA ! heheh

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

não sou não quero ser e tenho raiva de quem é

nem escritor, nem poeta, nem intelectual, nem culto, nem cult(uado),nem inteligente, nem bonito, nem diletante, nem tenho talento pra isso ou bom gosto.
não me agrada o publicável as capas nem o autoral ou editável.
gosto do toque do papel cru em branco em contato com meus dedos. nunca li um livro até o final, porque prefiro o seu cheiro, seu tato, como fica bonito na estante, -olha como se ilumina quando queimado numa fogueira, parece uma música crepitante não gravada que desaparece para sempre depois que a corda do piano para de vibrar.
-olha a música do piano que queima. olha e sente os acordes das cordas que arrebentam com força.
tento não ser cinza num mundo cinza de pessoas cinzas.
"o mais importante é a cinza do que a matéria intacta."
não tenho vocação para o cerebral porque o meu corpo reage sozinho aos cheiros, sabores, imagens e sons; às partituras repetidas das ações.
as imagens e sons da minha cabeça eu transformo em verdade. com custo. duram o tempo de sua existência, depois queima, passam, tornam-se cinzas, mas nunca cinza.
e a loucura em minhas veias deixo jorrar, quando ferido, enlouquecendo os que me feriram.
quero dar luz, dar a luz, luz que não clareia, mas torna mais escuro e confuso o olho de quem vê. não quero provocar, porque simplesmete não quero. não quero explicar porque não quero as coerências deles. não quero a razão porque os recalques precisam ser quebrados e essa massa descompactada. prefiro o movediço à fundação sólida, prefiro as texturas porosas em contato com minha lingua amarga de café e cigarro. mas não me agrada a lama. não me agrada a liga dos ovos nem o viscoso que desliza. prefiro os sons crus as vozes roucas e o translúcido das almas encardidas de pecado, mas não de culpa.
não quero esse sono tranquilo que só tenho induzido, porque não tenho a pretensão de organizar a liberdade. não quero quadros ou esquadros ou linhas retas ou sinuosas porque a meus olhos não se adaptam a imagens planas. quero as texturas, quero o tijolo de barro poroso que gruda na minha lingua. quero um mundo de barro seco não cozido que levanta pó e vira lama debaixo da chuva até os joelhos, só até os joelhos antes que seque e que depois a chuva lava. quero a substancia mutável. quero as madeiras secas que queimam facilmente. quero o cheiro do apodrecimento da vida das folhas no bosque úmido. quero . não preciso, só quero.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

corpo estirado

Aquela hora da manhã, atrasado como todos os dias estressado depois de 30 minutos esperando ao sol escaldante eternamente o viu. Estava lá estirado ao sol como nós esperando. eternamente esperando. O mau humor das pessoas era presente como corpos que multiplicava, dobrava, triplicava a multidão. –Alguma coisa aconteceu na Brasil. lembrei de ter ouvido na noite anterior alguém dizendo que um homem se jogara da ponte. Onde estará agora? Onde estarei agora? Só sei que ele estava lá. Estático úmido da noite de chuva, ha quanto tempo? Sua cor marfim se misturava ao ocre da sarjeta, pelos colados barriga inchada. Esperava? O que? Quem?
E a multidão se multiplicava. Nem era tão cedo, as lojas de bugigangas já vendiam colares e brincos da moda, moda estranha cores e formas estranhas. O homem de terno me apontou ele. –Está dormindo na sombra. Sim havia sombra. Seria a morte luz ou sombra? Seria a morte do suicida luz ou sombra? Ambos úmidos, um dormia placidamente esperando uma vassoura e com sorte uma mortalha plástica para conter o odor de sua putrefação, o outro talvez inchado e roxo. Marfim ocre roxo, talvez esverdeado. Cores da moda. Seus corpos sem vida esperavam. o que? Suas vidas antes do fim esperavam. O que? A multidão esperava. o que?
Um gato morto na sarjeta, uma multidão que agora aliviada entrava no ônibus e esperava. o quê? Trabalhariam, e ao fim de oito horas esperariam para voltar para casa. E os dias se repetiriam. Com uma ou outra variação. Talvez no dia seguinte seria um rato ou um cachorro ou uma criança na beira da estrada, marfim ocre, e a multidão esperaria eternamente. O que?

lembra manhã

Você lembra daquela noite quase de manhã, eu te levei ao topo daquela arvore majestosa e te mostrei o dia nascendo, despertando lentamente. Quem é? Quem é? Duvido? Tá , mas ouvimos cantos xamâs durante a noite na voz de uma sábia anciã cantante e ouvimos e vimos todas as estações num vôo rasante sobre o século dezoito para uma pista de pouso clandestina (podia-mos ser abatidos) mas ao invés de ouvir o rádio que nos pedia identificação, ouvimos Vivaldi enquanto te mostrava o dia como estava lindo e alguém perguntava incessantemente: Quem é? Quem é? Pousamos então no sétimo monte onde era primavera na época do ano e fizemos exames e te enfiaram num túnel e esquadrinharam sua medula e era tudo preto, e você e eu nos resumia-mos a tristes vampiros na terra como um outro imortal qualquer. e descobrimos que não precisávamos de aviões ou tecnologias. que podíamos voar e experimentar não só a primavera mas todas as outras estações pois como já foi citado o tempo também não era barreira e subliminarmente Vivaldi falava de como você deve agradecer por tudo, e naquela manhã você estava comigo no topo da vila cósmica olhando o céu ouvindo os pássaros e galos e sentindo o vento e naquele momento éramos sábios, parafraseando um anjo que me soprou no ouvido como uma melodia e agradecemos porque nos sentíamos gratos pela noite anterior quando salvamos nossas almas do vício do egoísmo e só não deitamos no divã da lua porque já era dia, apesar de ainda não ter sentido o calor dos raios do sol um pouco sufocados por algumas nuvens da aurora ou aquele monte que combinamos naquela hora que subiríamos um dia para simplesmente descobrir o que havia por traz dele, se de lá poderíamos ver o Japão.
Sim, naquela hora fizemos aquela antiga oração, mas antiga que a nossa própria existência:
_Que sempre, sempre sejamos sábios como crianças e ingênuos como os velhos.

E éramos...crianças e sábios...no topo daquela árvore quando os raios do sol finalmente alcançaram nosso corpo, enquanto o mundo dormia.

Mapa do tesouro

A chave está no lugar
Onde eu plantei aquela
Semente de cajá que
fez o solo sangrar com
seus espinhos.
Solo sagrado,
profanei o Sagrado!
Alma frondosa, árvore
de cajá pesada.
nasce do meu coração
e crianças brincam nela
e se alimentam e sobem para
pegar pipas ou simplesmente
para falar da vida e
como Sandra diria
naquela hora eram crianças
e eram sábias,despertas
enquanto o mundo dormia.