sábado, 17 de janeiro de 2009

pois tá...


pois tá,
então você vem aqui em casa passar uns dias.
os meninos vão ficar loucos.

tem muita coisa pra fazer ainda macho,
essa vida fútil tá me matando.
entao corremos para o theatro
e tomamos um café na livraria.

cidade sem allllmaaa!

tem mais carro do que gente.
levanta o vidro que esse sinal é perigo
tinha um bar ótimo aqui nessa rua
mas fechou quinta feira.

quinta é dia de caranguejo
caranguejo é entretenimento, não alimentação.
bom mesmo é comer baião, picanha, feijão verde.
de manha a gente vai comer tapioca,
e a noite pode-se fritar camarão na praia
por dois reais

esse céu parece que é mais perto!
aqui o dinheiro vale muito mais.
já aprendeu a tapar seu umbigo?
pois aprenda.
as pessoas se vampirizam o tempo todo.


a miséria aqui é muito mais pobre
choro quando me pedem dinheiro
ontem vi uma mendiga
com um olhar vítreo
ela não me pediu nada

nos olhos um vazio,
uma falta
não só de grana
falta tudo.
falta luz

como se de tanta dor
a alma tivesse se afastado do corpo
ela anda sempre um passo atras do corpo
dessa mulher
porque o corpo está muito desgraçado

mas da ponte inglesa nós vimos o por do sol essa tarde,
e você beijava sua amiga estilosa,
sua namorada.
enquanto eu olhava a capoeira
isso aqui pra mim é terreiro
minha casa

a alemã, preferiu ficar de braços cruzados.
eu não.
eu queria subir com os matutos no muro
e dar saltos acrobáticos na água
mas me limito a fotografar suas silhuetas
nesse por do sol

mas amanha, nós vamos chegar cariocas na praia
estender nossas cangas na areia
e tomar sol a tarde toda.
vamos ouvir cazuza deitados na areia.

e antes de chegar em casa,
a gente passa na padaria.
eu quero uma média e um pão francês
com muita manteiga

hoje estávamos muito sexy
a praia parou pra nos ver chegar
quis beijar sua boca
mas você quis conversar
eu nao tirei minhas fotos
mas você ganhou um sorvete

vocês nascem mesmo com a coisa
artística circulando
nas veias.
é! nós somos mesmo artistas
muito obrigado, você foi muito atencioso

a saudade grita!
mas preciso fotografar.
já desapeguei do que
me foi tirado
mas minha alegria ninguém tira mais.

só me lembra de tomar o meu antibiótico
se você nao dormir eu tenho rivotril
vamos organizar juntos a nossa liberdade
einh! você já adiou sua passagem de avião?

essa noite não tem moreno
essa noite eu vou passar em branco
essa noite um vento meio quente
meio frio
bate na minha cara

o vento traz uma chuva forte
que molha as ruas e o vidro do carro
a rua parece até são paulo
mas logo a chuva passa
para que eu possa caminhar nessas ruas

então caminho
e no final da noite deito nessa rede
e fico aqui pensando
e desbotando o sol
que peguei ontem.

3 comentários:

Elisa disse...

Lindo texto, de quem é?
Beijos

Rluz disse...

meu ué ... hehe
obrigado.

liv disse...

ei,gostei! estaprosa-poetica anarquica.gosto.desse caos urbano na escrita.